Até 2024, levar um cachorro para os Estados Unidos era um processo relativamente simples. Isso mudou. O CDC (Centers for Disease Control and Prevention) atualizou as regras de importação de cães, e o Brasil está na lista de países considerados de alto risco para raiva canina.
Isso significa exigências adicionais para qualquer cão que tenha passado os últimos seis meses em território brasileiro, independentemente da nacionalidade do dono. Neste guia, você encontra o passo a passo completo, direto da fonte oficial, para não ter surpresa no aeroporto.
Por que ficou mais difícil entrar nos EUA com um cachorro?
Em 1º de agosto de 2024, o CDC atualizou as regras de importação de cães para todo o mundo, com o objetivo de evitar a reintrodução da variante canina da raiva nos Estados Unidos. A mudança criou um sistema centralizado, com um formulário obrigatório para qualquer cão que entre no país e exigências extras para cães vindos de países classificados como de alto risco para raiva canina, entre eles o Brasil.
Na prática, isso quer dizer que, mesmo com toda a documentação em dia, o processo para trazer um cachorro do Brasil hoje é mais burocrático do que era há poucos anos, e exige planejamento com bastante antecedência.
Quem precisa seguir essas regras?
Qualquer cão que tenha permanecido no Brasil durante os seis meses anteriores à viagem, independentemente da nacionalidade do dono. Não importa se o dono é brasileiro, americano ou de outro país: o que determina as exigências é o histórico de localização do animal, não o passaporte do tutor.
Checklist completo para levar um cachorro aos Estados Unidos
Para conferir cada exigência em detalhe, use o checklist oficial em PDF da CBP: Dog Import Checklist (CBP)
- Microchip ISO compatível, implantado antes da vacina antirrábica
- Cão com pelo menos 6 meses de idade na data de entrada
- Vacina antirrábica válida
- Sorologia (titulação de anticorpos) em laboratório aprovado pelo CDC, se aplicável
- Formulário CDC Dog Import Form preenchido online antes da viagem
- Reserva confirmada em uma Animal Care Facility registrada pelo CDC
- Voo com chegada em um dos aeroportos habilitados
O microchip precisa ser colocado antes da vacina?
Sim, e esse é um dos erros mais caros que um tutor pode cometer. Segundo o CDC, o microchip precisa ser implantado antes da aplicação da vacina antirrábica. Se a ordem for invertida, a vacina é considerada inválida para fins de importação, mesmo que o cão esteja fisicamente vacinado.
Isso obriga a reiniciar a vacinação, o que pode adicionar semanas ao cronograma, já que a comprovação de uma primeira dose só é aceita 28 dias após a aplicação.
O exame de sorologia é obrigatório?
Depende do histórico do cão. Para cães vacinados fora dos Estados Unidos e vindos de país de alto risco, como é o caso do Brasil, o CDC exige uma titulação de anticorpos antirrábicos (sorologia) feita em laboratório aprovado pelo CDC. A coleta de sangue precisa ser feita pelo menos 30 dias depois da primeira vacina antirrábica válida.
Ter uma sorologia válida é o que evita a quarentena obrigatória na chegada aos Estados Unidos. Sem ela, o cão precisa cumprir o período de quarentena na Animal Care Facility antes de seguir viagem.
Meu cachorro vai precisar de 28 dias de quarentena?
| Situação | O que acontece |
|---|---|
| Documentação completa e sorologia válida | Exame veterinário na Animal Care Facility, conferência do microchip e possível revacinação. Normalmente sem quarentena de 28 dias. |
| Sem sorologia válida | Quarentena obrigatória de 28 dias na Animal Care Facility antes da liberação. |
O que é uma Animal Care Facility?
Não é um canil comum. São instalações registradas pelo CDC especificamente para receber cães vindos de países de alto risco para raiva canina. Nelas, o animal passa por inspeção veterinária, tem o microchip conferido, pode receber revacinação se necessário e, dependendo da documentação, cumpre o período de observação ou quarentena exigido antes de ser liberado para seguir viagem.
Quais aeroportos dos EUA têm Animal Care Facility registrada?
| Aeroporto | Cidade |
|---|---|
| MIA | Miami |
| ATL | Atlanta |
| JFK | Nova York |
| PHL | Filadélfia |
| IAD | Washington D.C. |
| LAX | Los Angeles |
Cães vindos de países de alto risco, como o Brasil, só podem entrar nos Estados Unidos por um desses seis aeroportos, e sempre por via aérea. Chegada por fronteira terrestre ou porto marítimo não é permitida nesse caso.
O que a pesquisa nas regras do CDC revela sobre erros comuns
A ordem importa mais do que a data
Um cão vacinado corretamente, mas com o microchip implantado depois, tem a vacina invalidada para fins de importação e precisa recomeçar o processo do zero.
A quarentena de 28 dias não é automática
Ela é consequência direta da falta de uma sorologia válida, não uma regra fixa para todo cão vindo do Brasil.
Só 6 aeroportos aceitam cães de países de alto risco
Isso restringe bastante as opções de rota e vale planejar a viagem em volta desse detalhe, não o contrário.
Perguntas frequentes sobre levar seu cachorro para os Estados Unidos
Depende da política da companhia aérea, não do CDC. As regras do CDC valem independentemente de o cão viajar na cabine ou no compartimento de carga. Confirme com a companhia aérea antes de comprar a passagem.
Não. Orlando não está entre os 6 aeroportos com Animal Care Facility registrada pelo CDC. Os únicos habilitados são MIA, ATL, JFK, PHL, IAD e LAX.
Não. O microchip legível por leitor universal é obrigatório para qualquer cão que entre nos Estados Unidos, independentemente do país de origem.
A coleta precisa ocorrer pelo menos 30 dias após a primeira vacina antirrábica válida. Verifique com o laboratório aprovado pelo CDC os prazos de validade específicos do resultado antes de agendar a viagem.
Sim, mas isso pode mudar as exigências. O CDC considera todos os países onde o cão esteve nos últimos seis meses, não apenas o último. Se o cão passou por outro país de alto risco, as regras de alto risco continuam valendo.
Sim, o Brasil está na lista de países de alto risco do CDC para raiva canina, o que ativa as exigências adicionais descritas neste artigo.
O ideal é começar com pelo menos 2 a 3 meses de antecedência, considerando os prazos de vacinação, os 30 dias mínimos para a sorologia e o tempo de análise do laboratório.
Não é obrigatório, mas muitos tutores preferem contratar despachantes de pets para lidar com a documentação e a reserva na Animal Care Facility, dado o volume de exigências e prazos.




